sexta-feira, fevereiro 07, 2014

O que fazer?
Por Luís Bomfim

Muito interessante a pergunta formulada por uma pessoa aqui no facebook, mais exatamente no grupo “Política sem Anonimato”, depois de expor a situação caótica em que nos encontramos política e socialmente. "O que fazer para mudar isto?", pergunta ela. O que é raro em nossos dias em que a maioria das pessoas tem a solução na ponta da língua, na ponta do lápis, da caneta ou do teclado. É uma pergunta rara, hoje em dia, que deve ser feita somente por quem realmente está disposto a fazer mudar toda essa estrutura em que nos obrigaram a viver, para satisfazer as necessidades dos poderosos que a criaram. Realmente, são poucas as pessoas que têm a pergunta certa para as ocasiões incertas. E alguns procuram dar essa resposta em entrevistas, em bate-papos informais ou oficiais, em livros - como o caso a destacar de Vladimir Ilich Lênin, no seu livro “O que fazer?” - e todos os filósofos. Cada um a seu modo, segundo suas convicções, caráter e a partir de seu lugar social.

Mas quero me ater nesse momento à resposta dada por alguém há dois mil anos, que a deu em várias oportunidades, em várias circunstâncias e em vários contextos, enquanto entre nós esteve, sendo argüido por gente que na maioria não estava propriamente interessado na resposta - como muitos em nossos dias - mas apenas para prová-Lo, pois já a tem e não quer fugir do lugar comum, caso do jovem rico que dele se aproximou e está registrada no evangelho de São Mateus, capítulo 19, versículos de 16 a 30; São Marcos 10. 17-22 e São Mateus 18. 18-23.

Como já devem ter percebido, estou falando do antrôpo Jesus de Nazaré (não vou falar de religião ou religiosos), que não apelava para sua autoridade superior para reforçar sua própria autoridade e doutrina. As coisas que nos diz até hoje possuem evidências palpáveis e compreensíveis, que na verdade não eram novas, já no seu tempo. Na verdade não veio dizer coisas esotéricas e incompreensíveis, nem uma moralidade diferente daquela que os homens já tinham. Mas eram coisas racionais para que todos possam entender e viver.

Um dos métodos de ensinar de Jesus era através de estórias, ou parábolas, se preferirem, com a intenção de que através delas, possamos chegar às respostas do "que fazer?", de "como fazer?", de "onde fazer?", e do "por que fazer?", dentre outras. Uma dessas estórias está registrada no evangelho de São Lucas, capítulos 16, dos versículos 19 a 31, e fala de um homem que tendo morrido e estando em lugar de sofrimento, viu no lugar de delícias – no Paraíso – um seu conhecido, e pediu para o “guardião” do local para que liberasse o tal senhor para que fosse falar aos seus irmãos, para alertá-los do quão terrível era aquele lugar em que estava, para que eles fizessem por onde não vir para ali depois de mortos. O “guardião” alegou a impossibilidade daquilo, pois a divisão que havia entre o amigo e seus irmãos era intransponível. O que estava em tormentos insistiu, mas diante de nova recusa quis saber o que fazer para instruir seus irmãos para não virem para aquele lugar. Ao que o guardião respondeu que eles tinham Moisés e os profetas, que os ouvisse, mas o que estava em tormentos insistiu:

- “...se ALGUÉM DENTRE OS MORTOS for ter com eles, arrepender-se-ão.”

– “Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos” – replicou o guardião.

Pois bem... Todos estamos diante de um dilema “O que fazer para mudar essa situação em que estamos vivendo?”. E essa pergunta provoca outra pergunta: “Estamos realmente dispostos a mudar tudo que é injusto, tudo que está corrompido na sociedade ou queremos apenas saber, como o jovem rico da parábola acima citada? Ou queremos apenas trocar nomes que estejam no poder, acusando uns aos outros porque votou no fulano esse, porque votou no sicrano aquele. Porque o partido tal é o melhor e o candidato aquele é pior, etc., etc.

As respostas a todas as nossas perguntas já foram respondidas por todos os que se interessaram em realmente um dia mudar o rumo da história; por todos aqueles que se interessaram em mudar e transformar o homem em algo que valha a pena e pela qual se valha à pena morrer. Jesus achou que valia e fez, mas essa é outra história, pois outros que vieram depois, e foram muitos, deram suas vidas para que se compreendesse que o poder de mudar, de transformar está em nossas mãos. Mas não é apenas combatendo às conseqüências sem sanar as causas, como querem a maioria de nós.

Bem, o que foi dito está dito, o que está escrito está escrito, e a pergunta que eu vi postada foi o "mote" para eu trazer à discussão à tona. E, de repente, você que teve competência para chegar ao final da leitura desse texto, pode estar perguntando: “E O KIKO? Pode estar confuso, dizendo que eu vim aqui pra falar de religião, já que todas as vezes que você fala ou cita Jesus de Nazaré, o Cristo, convencionou-se a dizer que estamos falando de religião. Mas não, caro amigo e leitor. Na verdade, quando se fala em Jesus de Nazaré se fala do antropo, do Logos do Deus que historificou-se, viveu entre nós, morreu por nós, nas mãos de nossos opressores, em resposta aos nossos “por quês” e “O que fazeres”.

Se a resposta ao nosso “O que fazer” tão aguardada não foi dada até aqui, no texto, pelo menos mostrou um caminho e deu a certeza de que enquanto estivermos acusando nossos irmãos que votaram em fulano por isso "a coisa está tão ruim"; o outro que diz: se votasse naquele tudo seria diferente... São como o fariseu de outra história do Mestre, que se orgulhava de não ser igual ao homem pecador, porque fazia coisas “perfeitas”. Estereótipo bem representado hoje em todos aqueles que não se acham responsáveis pela situação caótica da Saúde, da Educação, do Social, do moral e do ético em que vivemos, por não ter votado nesse ou naquele candidato que hoje está ou não no poder. Enquanto as chamadas igrejas que se dizem cristas, que dizem pregar o evangelho de Jesus Cristo estiverem dizendo que não se mete em política, e se interessando apenas em "melhorar" em "fazer prosperar" seus fieis para mais lhes arrancar o couro, em nome de Deus; enquanto estivermos procurando solução no passado, naquilo que já foi e que é causador de toda essa miséria, angústia e tristeza em que vivemos; enquanto estivermos procurando solução dentro do sistema corrupto, podre e carcomido por injustiças, não temos saída. Estaremos cada vez mais contribuindo e legitimando tudo que faz esse sistema sobreviver até agora e NUNCA SEREMOS!

A saída alguns "profetas" já nos indicaram, já nos mostraram. Muitos por ela se sacrificaram e deram suas vidas... Mas temos medo, pois educados que somos pela mídia, por Rede Globo, por Veja, por Folha de São Paulo, pela imprensa em geral, e por todos que estão contra esse ou aquele, mas sempre em defesa do sistema, não temos coragem de procurar nunca uma terceira opção, uma porta que já foi aberta para nos levar para fora desse sistema e que nos fará mudar tudo isso.

“A cada um de acordo com sua necessidade, de cada um de acordo com sua capacidade.” Frederick Engels.

QUEM TEM OUVIDOS OUÇA, E QUEM SABE LER LEIA!

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